Por que Shot Sage Blue Marilyn se tornou a obra mais cara do século XX?

Atualizado: 13 de mai.


Shot Sage Blue Marilyn, Andy Warhol, 1964

Arrematada esta semana no leilão da Christie's por US$195 milhões, Shot Sage Blue Marilyn atinge quase todos os critérios que determinam o valor de uma obra de arte (autenticidade, conservação, raridade, proveniência, importância histórica, tamanho, moda, tema, material e qualidade). Mas um fator a mais pode ser considerado nesse caso: a notoriedade de Andy Warhol.


Um dos artistas mais valorizados do mundo, suas obras continuam altamente relevantes e são reproduzidas constantemente no mundo inteiro até hoje.


Salvator Mundi, c. 1510, atribuída a Leonardo da Vinci: arrematada por US$450 milhões em 2017

Les Femmes d'Alger (1955), de Picasso, segura o recorde anterior de obra mais cara do século XX: US$179 milhões

E não é só pelo ser corpo de obra que Warhol é lembrado, a sua persona também ficou bastante memorável. Ele é um dos artistas mais fotografados da história, o que acabou fazendo de sua própria imagem uma marca. O fato de ter deixado tantos registros para posteridade foi providencial para sua longevidade na mídia, e olha que naquela época as redes sociais estavam longe de existir.



“A ideia não é viver para sempre. É criar algo que irá.”
- Andy Warhol

Aliás, a visão de longo prazo era uma das grandes qualidades do artista. Ele sabia que para continuar relevante, ele precisava acompanhar as novidades e testar coisas novas. Ele nunca teve medo de se aventurar com nada. Experimentou com música, filme, televisão, fotografia, publicações impressas e houve uma época em que até tentou ser modelo.


O tema da obra também foi um grande fator na sua valorização. Uma das celebridades mais icônicas do século XX, a imagem de Marilyn Monroe se tornou um clássico e tal qual Warhol, é sempre lembrada pela mídia. Foi o vestido dela que Kim Kardashian escolheu para vestir no último Met Gala, enfurecendo os profissionais de indumentária de todo o mundo, já que uma peça de vestuário considerada um artigo histórico raro a ser conservado, nunca poderia ser vestido.




E por falar em raridade, o recorde de Blue Marilyn é bastante contraintuitivo. Ela é uma peça única, mas é parte de uma série de Marilyns, e também não foi a única série da estrela que Warhol produziu. Mas pode ser considerada uma raridade por não ser muito comum uma Marilyn estar disponível no mercado. Porque, além de tudo isso, ter um Warhol é um grande sinal de status, e um grande colecionador que se preze não irá vender um Warhol por um motivo qualquer.

A verdade é que Warhol democratizou o acesso à arte. Ele conseguiu quebrar o padrão elitista e pouco acessível do mercado artístico, aproximando as pessoas e mostrando que a arte pode estar em todo lugar. Claro que ele não fez isso sozinho. Mas o fato de sua popularidade nunca ter diminuído nesses trinta e cinco anos desde a sua morte é algo que nenhum outro artista pode ser comparado.

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